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Resumo

Estudo sobre o brincar enquanto instrumento facilitador de reorganização psíquica para pessoas da Terceira Idade, possibilitando-lhes viver com harmonia e satisfação no âmbito pessoal, familiar e social. Baseia-se na visão psicanalítica de Winnicott que enfatiza a importância do brincar frente à realidade. Busca analisar a mobilização através do brincar de habilidades adormecidas e/ou esquecidas, assim como verificar se estratégias lúdicas possibilitam à pessoa da Terceira Idade reorganizar seus valores de vida, lidando com suas limitações atuais de forma saudável. Este estudo concluiu que o brincar pode proporcionar à pessoa da Terceira Idade representar simbolicamente suas experiências conflituosas, permitindo-lhe organizar melhor sua realidade para viver a velhice de forma prazerosa..

 

Palavras Chaves

Terceira Idade, Velhice, Brincar


Abstract

We studied play as an instrument for facilitating psychic reorganization in elderly people, allowing them to live with harmony and satisfaction in the personal, family and social spheres. The study was based on the psychoanalytic visions of Winnicott that emphasize the importance of play in facing reality. The stud seeks to analyze the mobilization of dormant and/or forgotten habits through play as well as seeing if game strategies allow elderly people to reorganize their principles of life, dealing with their current limitations in a healthy way. This study concluded that play may be, letting the elderly person represent their conflicting experiences symbolically, thus allowing them to better organize their reality and live with old age in a more pleasurable fashion.

Este trabalho “O brincar na Terceira Idade” surgiu no decorrer de minha vivência de doze anos como Supervisora de alunos em formação na área de Psicologia Educacional e de psicólogos que tinham interesse em desenvolver trabalhos na área de gerontologia, juntamente a eles, coloquei em prática e orientei trinta e oito trabalhos lúdicos, com grupos de pessoas da terceira idade e idosos, com atividades de modelagens, sucatas, desenhos, pinturas, colagens, jogos de construção e jogos de regras, enfocando o aspecto do brincar.

Estes trabalhos se apoiam na minha crença, na possibilidade da pessoa que brinca, poder se organizar internamente, fato que lhe proporciona um desenvolvimento sadio, como salienta o psicanalista Winnicott, o qual amplia esta fala dizendo que o “brincar é importante para a criança e o adulto, (...) [no brincar] eles podem ser criativos e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu.” [grifo meu] (1975, p.80).

Após muitas discussões e reflexões com os supervisionados referentes às atividades semanais que desenvolviam com as pessoas da terceira idade e minha própria experiência, questionava-me como estas pessoas pensavam a vida e viviam; em seu dia a dia parecia que, para elas, envelhecer era unicamente uma passagem obrigatória para a morte; por isso me chamou atenção a afirmação da psicanalista Messy ao dizer que “a velhice não é uma passagem obrigatória para a morte, como tantos vem apontando, é somente mais uma etapa da vida. E como todas as outras deve ser igualmente bem vivida.” (1992, p.07).

A psicanalista Mannoni que também escreve sobre o envelhecer, desenvolve esta questão, inclusive sobre o estado orgânico do velho, mas não desconsidera a possibilidade do psíquico continuar em ação, “...Se for a brusca deterioração do estado físico que faz o sujeito realizar a dependência em que se vê projetado (ou arriscado a sê-lo), este infortúnio (a doença) que exclui toda esperança pode ocorrer em qualquer idade. A repercussão não será a mesma aos 20 anos e depois dos 80. A “condenação à morte” está lá, presente, desde o nascimento. Acaba-se por esquecê-la. [A velhice não está diretamente ligada a idade cronológica].” (1991, p.16).

Em relação à morte e doença que a autora comenta, a princípio pareciam fazer parte apenas da velhice; no entanto percebo que elas podem ocorrer em qualquer idade, portanto envelhecer não é sinônimo de doença, pelo que Mannoni (op. cit.) comenta, é um processo natural pelo qual pessoas passam em seu ciclo de vida. A partir disto, pode-se dizer que “ser velho” torna-se pesado, devido à falta de consciência das possibilidades desta fase da vida pela sociedade.

Bosi complementa que, “A noção que temos de velhice decorre mais da luta de classes que do conflito de gerações. É preciso mudar a vida, recriar tudo, refazer as relações humanas doentes para que os velhos trabalhadores não sejam uma espécie estrangeira (...) a mulher, negro, combatem pelos seus direitos, mas o velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele.” (op. cit., p.81).

Pretendo fazer aqui, uma consideração sobre o que é indivíduo velho; vejo-o como alguém que possui uma grande soma e riqueza de experiências que estão armazenadas, desde seu nascimento, tendo uma longa história pessoal e social, mas biologicamente apresenta seu corpo envelhecido; contudo, de acordo com minha experiência, poderia dizer que a pessoa idosa pode adquirir várias outras formas de agir, de criar, de viver, mesmo quando seu estado físico apresenta-se limitado. Os próprios velhos com os quais de alguma forma convivi, mostraram que podem despertar habilidades que estavam adormecidas.

Nesse sentido também, transcrevo uma experiência relatada por Oliveira , parte integrante de um dos trabalhos por mim orientados e que a todos emocionou: Estava sendo realizado um trabalho com um grupo de idosas e paralelamente na atividade do dia, foram colocadas algumas músicas para elas ouvirem. As idosas comentavam que era gostoso e com a música lembravam de momentos por elas vividos e sentiam-se felizes. Uma idosa com problemas físicos, lamentou não poder mexer as pernas, pois do contrário gostaria de dançar como fazia quando nova. Então o estagiário convidou-a para dançar, dizendo que ela não precisava das pernas naquele momento, bastaria ficar de pé e abraçá-lo. Ao som da música, começou a balançar a parte superior do corpo e com os olhos fechados a idosa expressava em seu rosto feição de felicidade. Depois, comentou que não sabia que poderia dançar mesmo sem as pernas e que se sentia muito feliz, por saber que ainda era capaz de se emocionar mesmo dançando apenas com a parte superior do corpo.

Trabalhando com pessoas da terceira idade percebi que se consegue mobilizar conteúdos internos de prazer e satisfação destes indivíduos. Pode-se proporcionar a mobilização do sentir, da percepção de si mesmo e do outro; dos valores e de suas relações interpessoais. O trabalho ofereceu possibilidades para que a pessoa da terceira idade pudesse ser ajudada e ser vista como um ser individual e que tem os mesmos direitos e necessidades que todos os seres humanos.

A realização destes trabalhos, me levou a refletir sobre a possibilidade de que o brincar pode permitir à pessoa da terceira idade e/ou idoso, movimentos internos e consequentemente externos, podendo resgatar lembranças passadas pela brincadeira, e com elas, encontrar novos significados para a vida.

Percebi nestes trabalhos que as experiências positivas passadas, haviam servido de ponto de partida na revalorização daquilo que o indivíduo é hoje.

No desenvolvimento das atividades lúdicas, notei também que o indivíduo, através da representação simbólica de seus conteúdos internos manifesta experiências vivenciadas, (inclusive desde o nascimento), passando por todo o percurso de sua vida. Isto lhe permite resgatar sua história, assim recuperar sua capacidade criativa e, consequentemente, sua identidade, elaborar, neste momento, uma nova perspectiva de vida, mais saudável e de crescimento pessoal e social.

Reportei-me à teoria de Winnicott (1975) para ampliar a compreensão sobre o brincar na terceira idade, pois foi através das exemplificações de seus atendimentos que pensei que o brincar, poderia acontecer em todas as fases de vida do ser humano.

O autor enfatiza que o brincar é uma ação importante para que a criança atinja um desenvolvimento adequado para sua formação psíquica, referindo-se que “...ao brincar como O brincar tem um espaço e tempo próprio, que a princípio está entre o bebê e a mãe e varia bastante, segundo as experiências de vida do bebê em relação à mãe. O contato que o indivíduo terá com a realidade está bastante ligado ao tipo de vínculo que ocorre entre mãe e filho; ou seja, qual a compreensão desta para com as necessidades do bebê.

A partir deste estágio, a criança poderá assimilar a ausência da mãe como algo temporário, adquirindo então a confiança no retorno, ou seja, confiando que a mãe pode sair de perto, mas vai voltar para ele. Depois desta crença com a mãe, ele passará a brincar sozinho, podendo externar através do símbolo suas representações internas.

Winnicott (1975) salienta que brincar é importante para a construção e reconstrução do psiquismo do indivíduo, desde a mais tenra idade até a velhice. Sua teoria me interessou, porque mostra a importância do brincar no processo de separação não-eu/eu, que é doloroso e muito presente no idoso também, quando socialmente querem anulá-lo como pessoa, comprometendo sua identidade. Com a brincadeira, esta separação e relação saudável eu-outro, torna-se menos traumática, podendo ser até agradável, como na separação simbólica do bebê e sua mãe, sendo que na velhice, as perdas pelas quais passa o ser humano, podem ser melhores elaboradas.

Neste sentido, o autor nos mostra como o brincar pode transformar uma situação dolorosa de separação em prazerosa, o que vai ao encontro do objetivo deste meu trabalho; ou seja, o brincar para amenizar a angústia da pessoa da terceira idade de perdas em diversas áreas e níveis, permitindo-lhe que seja criativa e utilize sua personalidade integral, valorizando suas possibilidades ainda vivas.

Acredito, firmemente, que o brincar seja essencial para o ser humano, principalmente quando Winnicott diz, “É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem sua liberdade de criação (...). É através da percepção criativa, mais do que qualquer outra coisa, que o indivíduo sente que a vida é digna de ser vivida (...) viver criativamente constitui um estado saudável, e de que a submissão é uma base doentia para a vida..” (1975, p.79-85). No brincar a criança e o adulto têm liberdade de criar e recriar algo que possa simbolizar objetos internos e externos de seu convívio.

Na brincadeira, em qualquer idade, ocorre a emergência e utilização de símbolos significativos, sendo que esta vivência é muito importante para que o indivíduo tenha um constante movimento interno de forma evolutiva e prazerosa.

Conforme anteriormente mencionei, pude observar muitas vezes a inibição desta finalidade de brincar e criar na fase adulta, especificamente durante as atividades desenvolvidas com a terceira idade e percebi que o idoso não se sentia mais capaz de brincar, nem tão pouco com possibilidade de criar, parecendo estar sem movimento interno, apresentando, inclusive dificuldade de relacionar-se de forma sadia com o mundo externo.

Sobre a exploração no brincar, ação de extrema importância à saúde mental, cito um pensamento de Sheehy, “...Se não nos forçarmos a seguir andando até a ponta de um galho e pular em novas direções de quando em quando, como continuaremos a aprender? E se não continuarmos a aprender, como vamos continuar a nos desenvolver? Como as crianças são repetidamente forçadas a deparar com experiências novas e desafiadoras, estão sempre desenvolvendo a plasticidade para lidar com essas experiências. A maneira mais fácil de aprender, segundo a minha experiência, é interromper a existência diária, previsível. Arrisque-se. Como uma nova tarefa ou aventura do coração e nesse terreno exclusivo renuncie a algum controle. A recompensa intrínseca por você voltar a se colocar naquele estado de joelhos trêmulo do aprendiz é à volta de um sentido de brincadeira, curiosidade e travo forte da incerteza. A pessoa simplesmente é forçada a parar de se encarar com tanta seriedade.” (1995, p.366).

Os indivíduos bem sucedidos, continuam, tornam o trabalho o ponto central de suas vidas, eles “podem ainda apreciar o trabalho, mas com freqüência, parecem não conseguir descobrir um jeito de se permitir brincar.” (op. cit., p. 366).

Vejo necessidade de comentar que o brincar também funciona como ação preventiva, pois, através de atividades lúdicas, pode se evitar distúrbios, tanto psicológicos como biológicos na terceira idade; mais quando realizado na quarta idade (idoso), o mesmo funcionará como remediador. Bleger, fala que “o psicólogo deve intervir intensamente em todos os aspectos e problemas que concernem a psico-higiene e não esperar que a pessoa adoeça para recém poder intervir.” (1984, p.20).

Considero relevante acrescentar neste momento, o brincar como ação preventiva; ou seja, atacar uma causa, através da atividade lúdica, para evitar uma doença, reforçando a idéia de Bleger, como já foi citado.

O brincar como ação preventiva pode ser visto assim, através de toda a trajetória de vida como um auxiliar de liberação das tensões da vida psíquica e, com isto, possibilita a criatividade, ponto importantíssimo para um constante desenvolvimento psíquico, como salienta Winnicott (1975).

Em suma, o brincar poderá ser visto como uma ação preventiva, no aspecto psicológico, podendo então amenizar as angústias causadas pelo modo que a pessoa optou, ou socialmente foi coagida a se desenvolver e viver, com isto terá melhores condições de continuar na velhice mais ativa e saudável, sem se sentir excluída do social, sendo criativa e produtiva dentro desta fase no ciclo da vida.

Após estas reflexões, a questão principal da pesquisa foi estudar a importância do brincar, enquanto facilitador, para que a pessoa da terceira idade encontre também novos significados em sua vida psíquica de relação. Tomando esta idéia como base, levantei a seguinte questão: Pode o brincar proporcionar à pessoa da terceira idade uma maneira de representar simbolicamente suas experiências conflituosas, permitindo-lhe organizar melhor sua realidade para viver a velhice de forma prazerosa?

Esta questão origina-se e baseia-se em resumo na constatação de que a evolução do brincar está associada tanto à crença no outro quanto à criatividade. O brincar representa para a pessoa uma permissão para estabelecer contato entre o interno e o externo de forma saudável.


Objetivo Geral

Estudar o brincar enquanto instrumento facilitador de reorganização psíquica para a pessoa Terceira Idade, possibilitando-lhe viver com mais harmonia e satisfação no âmbito pessoal, familiar e social.


Método, Sujeitos, Técnicas e Materiais

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, através de observação e análise de pessoas da terceira idade em situações de brincadeira.

Caracterização dos Sujeitos: O critério de seleção dos sujeitos foi sua faixa etária, estando todos na Terceira Idade, com um mínimo de 45 anos e um máximo de 64 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1998). Participaram deste estudo seis pessoas da Terceira Idade, interessadas em participar em trabalho de grupo de terceira idade, foram informadas de que se tratava de uma pesquisa para valorização da pessoa da Terceira Idade, através do brincar, como instrumento facilitador, a fim de que pudessem reativar, ou até dar novos significados, para sua vida.


Técnica de Procedimento e Materiais Utilizados

A relação das Técnicas de Procedimento e materiais utilizados será exposta segundo o programa da pesquisa, a fim de facilitar a compreensão do desenvolvimento da mesma.

Breve Entrevista Inicial: Utilizou-se uma entrevista do tipo “indicada pelo entrevistador” de Benjamin (1969), porque a mesma consiste em situar no início, com clareza, o entrevistado sobre algumas informações que neste caso foram: a) Explicar mais detalhadamente a finalidade dos encontros e como seria desenvolvido este trabalho, b) Levantar a Caracterização dos Sujeitos e c) Perguntar sobre sua expectativa em relação a este trabalho.

Concluída a entrevista inicial foram aplicados os Inventários de Depressão (Beck et al, 1979) e de Ansiedade (Spielberger et al, 1970).

Aplicação do Inventário de Beck de Depressão: Pensando na freqüência com que as pessoas de qualquer idade, neste caso a terceira idade, apresentam um quadro depressivo, optou-se pelo uso do Inventário de Beck de Depressão (IBD), para avaliar o nível de depressão de cada sujeito, buscando validar os resultados desta pesquisa, no sentido de perceber se com o brincar a pessoa da terceira idade modifica seus hábitos no cotidiano, elevando sua auto-estima e com isso rebaixando o nível de depressão, passando a viver mais harmoniosamente e com satisfação seu dia-a-dia.

Segundo o autor, o IBD permite uma avaliação rápida do transtorno depressivo da pessoa, o mesmo consistindo em afirmações que descrevem o modo como à mesma se sentiu na semana passada e hoje, no momento da aplicação do inventário.

Por este motivo, decidiu-se aplicar o IBD no momento final da entrevista inicial e no início do oitavo encontro, para posterior análise do movimento depressivo do sujeito, no decorrer dos encontros.

É necessário neste momento falar brevemente a respeito do Inventário de Beck de Depressão. Ele foi desenvolvido por Beck et al., (1979) para avaliar a intensidade da depressão e foi validado para o português por Gorenstein & Andrade (1998). O IBD diferencia indivíduos “normais” de deprimidos ou ansiosos, sendo uma das escalas de auto-aplicação mais comumente utilizadas para avaliar a depressão.

É composto de 21 categorias de sintomas e comportamentos que apontam manifestações cognitivas, afetivas e somáticas da depressão. Cada categoria contém quatro alternativas que expressam níveis de gravidade de sintomas depressivos.

Beck et al., propõem que o indivíduo obtendo 21 pontos ou mais, pode ser diagnosticado com depressão clinicamente significativa.

Os autores comentam que, uma das razões de se aplicar o Inventário de Beck de Depressão (IBD), é o fato de poder demonstrar o quanto à pessoa melhorou em um período de tempo e, também, por não se prender apenas aos relatos verbais. Dizem eles: “Esta medição ajuda os pacientes a começar a pensar em termos relativos em vez de absolutos.” (op. cit., p.225).

Aplicação do Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger: Este inventário foi utilizado na pesquisa como instrumento auxiliar comparativo para análise do grau de ansiedade em dois momentos: no início e final dos encontros.

Cabe aqui também fazer um breve comentário sobre o inventário de Ansiedade Traço-Estado, o qual foi desenvolvido por Spielberger et al.,(1970) para investigar fenômenos de ansiedade em adultos ‘normais’, isto é, indivíduos sem perturbações de ordem patológica.

É composto de 20 afirmações que demonstram como o indivíduo geralmente se sente (A-Traço) e em caderno separado mais 20 afirmações que indicam como o indivíduo se sente num determinado momento (A-Estado), neste caso, quando se aplica o inventário.

O autor demonstra que “os escores na escala de A-Traço aumentam em resposta a vários tipos de pressão e decrescem como resultado de treinamento de relaxamento.” (op.cit., p.3). As qualidades importantes avaliadas pela escala de A-Estado envolvem sentimentos de tensão, nervosismo, preocupação e apreensão.

Roteiro de Observação Geral (ROG ): Para a observação e registro dos momentos dos encontros foi criado um Roteiro Observação Geral (ROG), que consiste de categorias e subcategorias. As categorias utilizadas no ROG foram selecionadas e adaptadas a partir das categorias dos Inventários de Depressão e de Ansiedade Traço-Estado. (Santos, 1999)

Os registros no Roteiro de Observação Geral (ROG) foram feitos por três observadores, simultaneamente, cada um registrou as Interações Sociais, os Envolvimentos com os Objetos e os Temas no ROG de dois sujeitos no decorrer dos encontros.

Técnicas Lúdicas e Plásticas Utilizadas nas Oficinas Criativas

Técnicas lúdicas: brincadeiras espontâneas simbólicas com utilização de material figurativo e não figurativo combinado; Jogos de Regras, com e sem tabuleiro e Jogos de Construção.

Técnicas plásticas: pintura, desenho e modelagem, construção com sucata.

Tanto as técnicas lúdicas como as plásticas foram administradas, buscando-se evitar toda e qualquer orientação diretiva aos sujeitos sobre ‘como’ ou ‘o que fazer’, visando justamente observar seu comportamento durante as atividades.


Desenvolvimento da Pesquisa


1. Contato inicial

Houve no início uma breve contato com cada um dos sujeitos, no local onde o trabalho foi desenvolvido. Nesta ocasião foram feitas: • Breve Entrevista Inicial • Inventário de Beck de Depressão • Inventário de Ansiedade Traço-Estado.


2. Desenvolvimento dos Encontros

O trabalho foi realizado em dez encontros, sendo um encontro por semana, no decorrer dos meses de junho e julho no ano de 1999, com duração de uma hora e trinta minutos cada um e foram estruturados em três momentos:


1º Momento: Quebra Gelo

Breve descrição: Momento de primeiro contato com os sujeitos nos encontros, o quebra gelo serviu como parte introdutória para a descontração dos participantes a fim de realizarem a atividade seguinte.

Finalidade do momento: Proporcionar uma reflexão sobre o dia-a-dia dos participantes, para atingir esta finalidade formulou-se como tema as questões:


Você experimentou situações novas durante esta semana?

Seu estado de humor tem melhorado?

ROG: Para a observação e registro deste momento foram utilizadas Categorias de Interação Social e dos Temas anotadas no RGO. As respostas verbais referentes aos temas questionados foram registradas em tópicos, sendo que cada observador registrou os temas abordados de dois sujeitos, também foram gravadas em fita K7, para a realização da análise das categorias quanto à forma de agir, assim como, quanto aos temas.

Os registros das categorias de Envolvimento com a Atividade, não foram considerados neste momento, porque este foi de reflexão.


2º Momento: Oficina Criativa

Breve descrição: Entende-se aqui, que toda criatividade supõe espontaneidade e crença e a oficina possibilita esta criação, por este motivo que se denominou este momento de Oficina Criativa. Nesta parte foram desenvolvidas técnicas como: desenho, pintura, modelagem, sucata, jogos de construção e jogos de regras.

Finalidade do momento: Proporcionar aos sujeitos meios para encontrarem formas de re-significar situações anteriormente vivida, trabalhando o afetivo e o cognitivo em conjunto.

ROG: As observações deste 2º momento foram registradas no Roteiro de Observação Geral, foram utilizadas as Categorias de Envolvimento com a Atividade. Os trabalhos realizados foram práticos, portanto nem sempre foi possível anotar os registros das Categorias de Interação Social e dos Temas, pois nestes submomentos não ocorriam tantas verbalizações. Os trabalhos realizados pelos sujeitos foram fotografados, objetivando registrar as produções dos sujeitos.


3? Momento: Roda de Conversa

Breve descrição: Momento final do encontro que serviu para que os sujeitos relatassem sobre suas produções e a partir delas seus sentimentos.

Finalidade do Encontro: Possibilitar aos sujeitos que relatassem sobre as experiências vividas durante o 2º submomento (Oficina Criativa). Os relatos dos participantes foram norteados com as seguintes questões:

O que fizeram na atividade?

Como se sentiram fazendo as atividades da Oficina Criativa?

ROG: Uma vez que os conteúdos deste terceiro momento foram o objeto principal da análise do estudo, utilizou-se o registro das anotações, em tópicos, dos relatos dos sujeitos e um gravador (fita K7) para conservar os dados verbalizados na íntegra.

3. Finalização dos Encontros (Oitavo Encontro)

No último Encontro da série, além das atividades regulares visou-se reavaliar os sujeitos, fazendo para tanto, nova aplicação dos Inventários de IBD e de Ansiedade Traço-Estado, foi pedido para os sujeitos comparecerem trinta minutos antes do inicio do encontro.

Criou-se uma nova situação para que pudessem se expressar livremente sobre o que haviam vivenciado nestes encontros. Assim, após o término da atividade do 3º submomento da Oficina Criativa, foram feitas duas perguntas com o intuito de averiguar o que significou este trabalho para os sujeitos:

1. O que acharam dos encontros?

2. Que significado estes encontros tiveram para vocês?

Este momento final foi apenas gravado, também para conservar os relatos na íntegra.


Análise dos Dados Parciais

Quanto à análise do Inventário de Beck de Depressão foi computada através dos escores globais que no início deste estudo os participantes, em sua maioria apresentava escores altos, isto é, presença de sintomas significantes em relação à depressão:

Leve moderada, demonstra que o indivíduo é capaz de lidar com seus pensamentos negativos de maneira objetiva.

De moderada a grave, demonstra que o pensamento do indivíduo se torna crescentemente dominado por idéias negativas, sendo que segundo Beck, pode não ocorrer “conexão lógica entre as situações reais e suas interpretações negativas (...) a pessoa deprimida é menos capaz de ponderar a noção de que suas interpretações negativas são errôneas.” (1979, p.11).

Grave, mostra que a pessoa torna-se completamente preocupada com seus pensamentos negativos, repetitivos e constantes, tendo dificuldade de concentrar-se em estímulos externos ou engajar-se em atividades mentais e sociais.

Exemplo disto está na fala de Isabel (uma participante deste estudo): “Ah! Você [dirige-se a outra participante] falou sobre a Terceira Idade, que já tentei participar duas vezes, para ver se me distraía um pouco, se liberava os problemas, mas não sei se vocês concordam comigo? Hoje em dia está muito difícil de participarmos, porque as pessoas que já estavam lá, tinham suas panelinhas, ficavam sempre em grupos, sempre permaneciam em duas ou três ou quatro pessoas juntas e eu não conseguia entrar no grupinho, não tenho jeito para isto, não sou muito de conversar, então não vou...” Está fala nos mostra concretamente como a pessoa em depressão grave se fecha, ou seja, vive seu dia-a-dia centrada em si mesma.

O resultado do Inventário de Ansiedade Traço-Estado não apresentou diferença significativa, a análise dos escores globais deste Inventário demonstra o grau de ansiedade que os participantes deste estudo apresentaram na entrevista inicial e no oitavo encontro do trabalho em referência, como veremos a seguir:

Renato e Vera: não apresentaram alteração no Inventário de ansiedade aplicados no início e no final dos encontros.

Fátima: no início apresentou grau de ansiedade de leve a moderada e no final dos encontros houve uma pequena elevação do grau de ansiedade de moderada para grave.

Isabel apresentou, no início, grau de Ansiedade Grave e no final dos encontros teve uma pequena baixa, isto é, grau de ansiedade de moderada para grave.

Olga: apresentou no início das atividades lúdicas um grau de Ansiedade de moderada para grave e no final dos encontros teve uma significativa baixa no grau de ansiedade, de leve para moderada.

Analisando esses dados observou-se que: a) Apenas uma minoria (um sujeito; Olga) teve uma queda significativa, b) A grande maioria não demonstrou alteração significativa, sendo que dois sujeitos permaneceram estáveis (Renato e Vera) e dois apresentaram ligeira oscilação (um para melhor; Fátima e um para pior; Isabel).

Seria de se esperar, segundo os autores, que os participantes no momento da entrevista inicial demonstrassem escores altos de Ansiedade-Estado que se relaciona com estado emocional transitório, com sentimentos desagradáveis, uma vez que estavam em frente à situação de tensão, do início do trabalho prático, tendo que se expor, bem como, no final dos encontros, quando aparece novamente a tensão, desta vez de separação, porque se dava o término dos encontros.

Em relação ao Inventário de Ansiedade-Traço onde demonstram a maneira como geralmente reagem a situações ameaçadoras e de perigo.

Também aqui não foi observada mudança significativa. Analisando esta etapa nota-se que: 1) Os participantes, em sua grande maioria (todos menos um), apresentaram nos escores, da aplicação inicial, grau de ansiedade de moderada para grave, na aplicação do Inventário no final dos encontros, Renato e Vera mantêm o mesmo grau de ansiedade. Fátima demonstra elevação em seu grau de ansiedade para grave e Olga, ao contrário, teve uma significativa baixa em seu grau de ansiedade, passa para grau de ansiedade leve para moderada, 2) Isabel: apresentou grau de ansiedade grave, onde se considera significativo o escore (72) e permanece com o mesmo grau de ansiedade no final dos encontros.

Deve-se levar em conta que a Ansiedade-Traço envolve resíduos de experiências passadas, neste caso considera-se a pessoa com propensão à Ansiedade.


Análise do Primeiro, Quarto e Oitavo Encontros

Objetivando facilitar a elaboração e compreensão da Analise Evolutiva Geral optou-se por fazer uma analise dos dados colhidos nos três encontros selecionados, levando em consideração as Categorias utilizadas no Roteiro de Observação Geral (ROG) .


Primeiro Encontro:

Acredita-se que, por ser o 1º encontro, os sujeitos, na sua maioria se apresentaram inibidos, provavelmente, por não se conhecerem. Apareceram também estados de humor triste, talvez por estarem relatando algumas situações vivenciadas, por eles, de forma depressiva, levando em conta, segundo Beck, que com depressão moderada grave, constatada na maioria dos sujeitos (4), o pensamento das pessoas se tornam dominados por idéias negativas. Em relação à ansiedade, percebeu-se que, apesar de ser o encontro inicial, uma minoria dos sujeitos (1), apresentou bastante tensão ansiosa, expondo verbalmente para o grupo de que seu jeito iria atrapalhar o andamento da atividade.

Observou-se que mesmo com sintomas depressivos os sujeitos puderam relatar situações agradáveis, acreditando em melhorar nas ações cotidianas. Nesse momento, nota-se o movimento de centralização em si mesmo e de dificuldade de perceber o outro.

Sendo este encontro o primeiro, destacou-se o desempenho e concentração dos sujeitos em realizar a tarefa de desenhar. Sabe-se que o ato de desenhar permite à pessoa simbolizar histórias, cenas e atributos do passado e que este ato pode derivar de fatos experimentados por elas, o que pode explicar o comportamento de um dos sujeitos do grupo que se mostrou agitado durante este submomento.

Acredita-se que o envolvimento com a atividade de desenhar permitiu às pessoas concentrarem-se em si mesmas e, através deste processo, simbolizar suas idéias, necessário ao movimento de descentralização.

Observou-se que, no decorrer deste encontro, houve um predomínio na interação entre os elementos do grupo, apesar de terem se conhecido no início do mesmo. No término, notou-se uma melhora em relação ao estado de humor; as pessoas sorriam com facilidade e o tom da voz era mais forte. Mantiveram prazer no contato todo tempo.

Percebeu-se que a atividade de desenhar possibilitou aos sujeitos evocarem lembranças do que viveram recentemente, no âmbito familiar e social, em situações de prazer, contudo, aparece um não acreditar na própria produção. Segundo Winnicott o brincar é necessário para que as pessoas criem algo, diz ainda que é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o “EU”. Aqui, os sujeitos demonstraram um prazer maior voltado para o passado, porém o presente, ‘o fazer algo’, ‘o criar’, ainda é muito ameaçador.


Quarto Encontro:

Notou-se neste encontro o predomínio do envolvimento com a atividade, no caso a argila, e exploraram muito o material. A presença do estado de Humor Triste não foi significativa, havendo também o predomínio do prazer no contato, na relação entre os sujeitos, durante os momentos deste encontro. As pessoas ainda mostraram dificuldade em se colocar verbalmente no grupo.

O relato sobre a produção de modelagem com argila possibilitou aos sujeitos evocarem lembranças de situações relacionadas ao âmbito familiar, pois verbalizaram sobre situações de prazer e acreditaram na possibilidade de melhorar seu relacionamento familiar e pessoal.

Acredita-se que os sujeitos, no decorrer dos encontros, estavam adquirindo confiança em si mesmos e este processo possibilitou a eles relativo desenvolvimento psicológico, propiciando-lhes a individualização, o que poderá fazer com que ganhem cada vez mais confiança em si mesmos. Segundo Winnicott (1975), a confiança é essencial para que o indivíduo possa criar, o que gradativamente estava acontecendo com os sujeitos desta pesquisa.

Percebe-se em relação ao primeiro encontro, uma predominância mais significativa do envolvimento com o objeto, uma maior motivação em combinar os objetos entre si de forma pessoal, ou seja, em se expor para criar, na realização da atividade. As pessoas se mantiveram em constante contato com o material e colocaram em prática suas idéias, acreditando em suas capacidades de executar a atividade, sem necessidade de receber estímulos externos, apesar de que, às vezes, apresentaram dificuldade de interação com a modelagem, o que pode estar relacionado ao estado de Humor Triste porque enquanto os sujeitos desenvolviam continuamente a atividade, mesmo com oscilação de humor, eles conseguiram manter um envolvimento contínuo com o que estavam fazendo.

Este movimento pode ser explicado por Winnicott (1975), quando este comenta que, no brincar, o adulto tem a liberdade de criar e recriar algo que simbolize objetos internos e externos de seu convívio, sendo que neste estudo observa-se que o criar parece realmente dar suporte a interação saudável com a realidade, convivendo com oscilação de humor e elaborando situações internas.

Enquanto alguns participantes modelavam a argila, observou-se de maneira geral que, permaneciam chorando e respirando com dificuldade. Com este comportamento pensa-se que o resgate de situações vividas no passado, pode proporcionar ao indivíduo re-organizar-se psiquicamente e ao entrar em contato com estas situações a pessoa pode primeiramente se entristecer e depois sentir prazer. Exemplo disto está no relato final de Fátima: “Ah! Eu gostei, pelo menos desabafei alguma coisa que estava prendendo, que veio lá do fundo. Nós tentamos esconder e fica adormecido, guardado e não lembramos para não sofrer e é bom quando sai e então a gente não fica com medo de lembrar de outras coisas, não é? Foi muito bom, agora posso me lembrar sem ter medo de voltar atrás”.

Acredita-se que a pessoa, nesta situação, teve a possibilidade de re-presentar o vivido, ou seja, voltar ao passado resgatando as lembranças e trazendo-as ao presente, de forma simbólica através da modelagem com a argila. Portanto, poderia dizer que o brincar serve de veículo para a representação simbólica das experiências vividas. Neste submomento, os participantes não se mostraram inibidos e desenvolveram sua atividade continuamente, mas, necessitaram de motivação externa para desenvolver sua atividade, ou seja, interrompiam o que estavam fazendo, olhando para os demais, buscando imitar. O brincar acontece quando há mais prazer do que tensão ou esforço.

No submomento de término da atividade, alguns sujeitos já haviam concluído a atividade de modelagem e começaram a conversar uns com os outros. Notou-se que, às vezes, havia presença de humor triste, representado inclusive através do choro, que se manifestou associado a uma lembrança triste. Na maior parte do tempo, contudo permanecia o prazer no contato, não havendo manifestação de sentimento de culpa e não ocorrendo medo de desenvolver uma atividade diferente das habituais.

No 3º momento, apenas para lembrar a Roda de Conversa que se desenvolvia no final de cada encontro, foi observada a permanência de interação dos sujeitos entre si. A verbalização a respeito da modelagem que produziram foi feita com muito choro. Surgiram também em alguns momentos, os estados de humor representado na dificuldade respiratória dos participantes, já que a manipulação da argila provocou a emergência de lembranças de perdas, que foram relembradas em seu contexto de sofrimento. Os sujeitos expressaram a seguir, o seu alívio e satisfação em terem voltado à infância e poder neste momento falar a respeito, sendo que, anteriormente, nunca haviam comentado.

Em relação aos temas, houve relatos de situações passadas e sobre fatos da infância, coligados a situações prazerosas. Quanto à crença, os sujeitos acreditaram no seu desempenho e ação.


Oitavo Encontro:

A maioria dos sujeitos apresentou inibição uns com os outros, talvez pelo fato deste ser o último encontro, mas não surgiu estado de humor triste. Relataram situações prazerosas de âmbito familiar, pareciam alegres, riram muito dos fatos engraçados que verbalizaram. O contato que tiveram, às vezes, uns com os outros era feito com prazer. Na relação entre eles não houve manifestação de sentimento de culpa. Quanto à ansiedade, notou-se que apesar de ser o último encontro, conforme era esperado, segundo o Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger, alta ansiedade nos participantes.

Contatou-se uma predominância na interação, justamente pelo fato dos sujeitos estarem mais solto; brincaram verbalmente e com prazer. Durante todo o tempo não apareceu estado de humor triste . A maioria dos participantes não manifestou sentimento de culpa nas ações uns com os outros, apenas dois sujeitos apresentaram esse sentimento nas ações em frente aos elementos do grupo, sendo que as pessoas na maior parte do tempo não acreditaram em suas produções, manifestaram medo de expor suas idéias, o que não ocorreu com os três outros sujeitos.

Viu-se no início deste estudo que a pessoa necessita da crença do outro para poder criar, e criar requer espontaneidade o que não aconteceu no grupo, uma vez que um dos participantes “ralhava” com o outro. Um trecho das falas dos sujeitos neste submomento do oitavo encontro: é destacado como exemplo: um dos participantes que se propõe a fazer a casa da estação, depois de muito estimulo do grupo, ele a faz e coloca perto do trilho do trem. Uma participante, Olga, assusta-se e fala gritando: “Está caindo Senhor Renato, o telhado está caindo.” Isabel acrescenta: “Esse telhado está muito pesado.” Fátima exclama: “Ah! Caiu a casinha!!! Se o Senhor tivesse que ser pedreiro tinha morrido de fome, iria ser processado, porque vai fazer cair outras casas e o dono irá processá-lo.”

Percebe-se aqui, que alguns sujeitos do grupo não acreditaram na capacidade do Senhor Renato construir com a argila uma casa e com estas ações ele ficou inibido, dizendo que não tinha jeito para trabalhos manuais, sentia-se uma negação.

Portanto, pode-se dizer que a minoria dos sujeitos não conseguiu se envolver com o material de argila. Em relação à criação espontânea, alguns sujeitos motivados em modelar uma estação de trem, estimularam os outros. Somente uma minoria necessitou de constante estímulo para executar a modelagem. Às vezes, ocorreram inibições frente à frustração, principalmente por parte de um dos sujeitos que a princípio modelou objetos de jardim e não uma estação de trem como foi o desejo dos outros participantes. Em relação aos temas, observou--se que a maioria dos sujeitos teve lembranças de fatos significativos, evocadas através de suas produções com a argila.

Havia interação entre os sujeitos, não apareceram estados de humor triste, a maioria dos sujeitos, não apresentou sentimento de culpa, porém, neste submomento os sujeitos mostram-se ansiosos para terminar a estação do trem proposta pelos próprios sujeitos.

A realização propriamente dita da modelagem foi desenvolvida com constante envolvimento e motivação, sem necessidade de receber estímulos externos.

No término do 2º momento, ocorreu de maneira semelhante aos outros momentos, os participantes continuaram interagindo desenvolvendo a atividade de modelagem, motivados e soltos, aconteciam brincadeiras entre os participantes, onde um auxiliou o outro quando necessário. Alguns eram motivados a produzir pelos elementos do próprio grupo.

Os sujeitos interagiram e falaram espontaneamente, não ocorrendo estado de humor triste, mantendo o prazer no contato entre os mesmos. Também não surgiu sentimento de culpa, nem ansiedade no contato. Parece que o processo de modelagem emergiu lembranças de situações passadas e fatos antigos e significantes para os sujeitos. Houve o relato envolvendo situações de prazer e neste final dos encontros falaram da possibilidade de transformação no seu dia a dia.

Exemplifica-se esta fala através de um relato de Isabel que ilustra o movimento, assim como, o desenvolvimento do grupo: “Quando o senhor Renato estava falando, me lembrei que tem coisas que marcam muito e apesar da felicidade estar dentro de nós, também pode acontecer lá no lugar onde já fomos e gostamos, lugares que brincamos. Mesmo nos tempos de hoje, acho que podemos fazer com que as coisas mudem, acho que para o homem é mais fácil, mas a mulher hoje tem que ir a luta e buscar a felicidade e estou fazendo isso, mas não é por amor nem por nada, quero viver bem dentro da minha casa, se não for possível com minha família, que eu viva bem com o espaço que estou ocupando dentro do planeta. Então, penso que a felicidade está em diversos lugares. Gostaria de estar assim num lugar simples, como esse que criamos que fazem lembrar de todas essas coisas. Também poderia ser num navio viajando, numa praia num belo dia de sol, soltando pipa, esqueci completamente da vida, mas aqui me lembrei de quando era menina e tinha 7 anos , morávamos numa cidade e meu pai vivia fugindo por causa de política, colocou meus irmãos e eu no trem com minha mãe e foi em outro tipo de condução. Na estação do trem tinham alguns vagões e meu irmão e eu subimos no trem achando que seria o que nos levaria e não era, ele foi para o estacionamento, quando percebemos que o trem estava sendo recolhido eu comecei a gritar junto com meu irmão desesperadamente e foi quando alguém nos viu e avisou . Depois de algum tempo, o trem que iria com minha mãe e os outros irmãos, deu ré até onde nós estávamos e então fomos embora. Isso marcou muito e foi de desesperar, nós entramos em pânico quando vimos que não era o mesmo trem que estava minhamãe. Uma outra vez, aconteceu numa quermesse da igreja católica. Eu e outras crianças estávamos na quermesse e resolvemos entrar na igreja para brincar, foi quando todos saíram e o zelador fechou a porta e eu fiquei presa lá dentro. São coisas que marcam e deixam pavor, e até hoje tenho muito medo de trem e de ficar trancada dentro das coisas. Aconteceu na fase simples de criança e a gente agora acaba voltando e isso faz parte da nossa vida. Eu que vim do interior fico com uma certa melancolia, uma certa tristeza. Perdi o trem e fiquei trancada dentro de mim, hoje me soltei.”

Este relato demonstra que o brincar, pôde facilitar à pessoa viver satisfatoriamente consigo mesmo e com o outro, parece que Isabel resgatou sua crença.

Acredita-se que neste último encontro, os sujeitos estavam mais livres para criar e recriar espontaneamente, segundo Winnicott (1975) e, portanto, re-organizarem-se psiquicamente.

Visando complementar a análise das categorias dos encontros selecionados, serão comentadas algumas partes significativas a este estudo, verbalizadas pelos sujeitos no final do último encontro.

O relato de Fátima, ilustra o movimento do grupo, pois demonstra que através do brincar pôde mudar alguns comportamentos no seu dia a dia, bem como em seu interior. “Nos primeiros encontros sentia-me mal, depois parece que comecei a sair de dentro para fora, aquelas coisas que estavam escondidas lá no fundo. Quando comecei estava muito fechada e com o decorrer dos encontros fui me abrindo, agora estou me sentindo mais livre, estou voltando a ser como eu era antes. Estou conseguindo enxergar mais os fatos, não estou mais com medo daquilo que estava dentro de mim.”

Esse depoimento parece traduzir bem o que diz Winnicott (1975), quando explica que o brincar simbólico pode ocorrer em qualquer idade; o indivíduo brincando, terá condições de representar seus conflitos internos, re-organizando-se. A pessoa pode viver de novo emoções que foram reprimidas, possibilitando que ocorram movimentos internos, porque brincando, está recriando.

Outro relato muito significativo para este estudo foi o da participante Isabel: “Nossa! Foi bom demais, me livrou de muitas coisas ruins que talvez pudessem ter acontecido por causa de um período tão negativo que estou passando...” Esta participante, em particular, apresentou estado depressivo grave (escore 32) que segundo Beck (1979) a pessoa com depressão grave torna-se completamente preocupada com seus pensamentos negativos, repetitivos e constantes, tendo dificuldade de concentrar-se em estímulos externos ou se engajar em atividades mentais e sociais. “...Tenho fé em Deus que vou passar e acreditei muito neste trabalho. Nossa! Acreditei mesmo! Coloquei toda minha esperança aqui...” Vê-se nesta fala que Isabel expressa de certa forma o que Winnicott (1993) comenta, afirmando que a pessoa pode criar e com isto, desenvolver--se, mas, para isso é preciso que a pessoa confie que sua ação será reconhecida, isto é, que o outro acredite nela. Este fato pode ter ocorrido com a participante quando houve sua interação com o outro no grupo. Ela relata sobre isto quando diz: “...Chegar aqui nesses oito encontros, foi bom demais, conhecer o pessoal, conviver com eles, trocar idéias, ouvir seus problemas, percebendo que não é privilégio nosso tê-los, mas que outras pessoas também os têm...”

A atividade lúdica cria um aspecto terapêutico quando desenvolvida num grupo com liberdade de expressão e comunicação, parece que os sujeitos puderam reconhecer a si mesmos, diferentes uns dos outros; mas também com problemas comuns. Nesse sentido outros participantes relataram este processo: “Agora estou sentindo e percebendo que todo mundo tem seus problemas.” “Dou muito valor aos trabalhos de psicologia, ela dá o equilíbrio ao ser humano, foi bom saber que outras pessoas têm problemas. Acredito muito nisso, se não acreditasse, não teria razão de estar aqui.” Vemos como outro fator que pode ter contribuído para a utilização do brinquedo como estratégia de crescimento, além dele ter sido realizado num grupo, foi dos participantes terem encontrado apoio na presença da psicóloga, que não interpretou os conteúdos emergentes, mas lhes deu continência e escuta.

Através desses relatos constatou-se que o brincar pôde facilitar aos sujeitos desta pesquisa, mutações internas e com isto, provavelmente mudanças de comportamento em frente ao âmbito familiar e social.

Resultados

No Inventário de Beck de Depressão constatou-se que houve uma redução significativa nos escores globais do IBD da depressão, comparando-a entre o início e final de oito encontros.

Com relação ao Inventário de Ansiedade Traço-Estado, contudo, não ocorreu diferença significativa entre os escores iniciais e finais, devido o mesmo ter sido aplicado em duas situações de tensão, ou seja, no início, os sujeitos apresentavam-se ansiosos pelo fato de estarem em frente a uma situação desconhecida, o próprio trabalho e no final, encontravam-se em uma situação de perda, de separação, pois era o último encontro.

Em relação à evolução dos encontros notou-se, que de maneira geral, houve predominância na interação entre as pessoas, do começo ao fim, sendo que quase sempre falavam espontaneamente sobre seu dia-a-dia, assim como, comentavam em relação aos objetos que produziam nas atividades, tanto ouviam como perguntavam ou opinavam, também sobre relatos de situações de outros membros do grupo, que por vezes pareciam bastantes significativos para eles, contudo, parece ter ocorrido na evolução dos encontros como sua análise indica, o estabelecimento da maior confiança em si mesmo e no outro, facilitando a possibilidade de desenvolverem a credibilidade conforme comprovam os depoimentos colhidos ao final dos encontros. Emergiram inclusive ao final, estados de humor triste, principalmente quando as pessoas relatavam situações vivenciadas recentemente, ou quando verbalizavam sobre situações desagradáveis do passado. Os participantes que apresentaram escores de depressão moderada grave e grave, no início, tiveram tendência de verbalizar fatos com voz bastante baixa, e por vezes, choraram durante os relatos.

No decorrer dos encontros, foram observados, registrados e analisados que o humor triste decresceu, isto é, a pessoa referiu-se tristemente às suas lembranças, mas os estados emotivos associados à ansiedade que acompanharam essa tristeza, não decaíram, continuaram se manifestando, contudo, em contextos mais positivos, como o relato emocionado de uma situação crítica, mas resolvida satisfatoriamente, que aqui é reproduzido: "Isso aqui que eu fi,z é minha infância [chorou muito]. Quando minha mãe brigava comigo, eu subia nessa árvore que era minha e ficava lá sozinha; quando me acalmava, descia da árvore. Um dia quando voltei para casa, a árvore não existia mais e minha irmã disse que cortaram, porque não trataram muito bem dela. Para mim era como um bichinho de estimação que tive que deixar, quando vim para São Paulo e esse aqui era o ônibus que me trouxe. Quando pego ele, me sinto bem de voltar para lá [chorou durante todo o relato]. Esse outro aqui é meu irmão brincando comigo, ele era meu amigo. Era uma árvore que chamava ´Naticonseiva’, era cheia de galhos e quando minha mãe brigava comigo eu subia nela e ficava pensando. Quando somos criança, nos apegamos em tudo e achava que ela era minha amiga e nunca consegui esquecer essa árvore. O meu irmão morreu quando tinha 50 anos, ele me tratava muito bem. Meu pai morreu já faz 19 anos. Esse aí, não parece, mas é uma cabra, só que era um ‘cabritinho’ que eu criei, e, em todos os lugares que ia ele me acompanhava, só que parecia mais um cachorro, comia na minha mão. Depois que fui embora e voltei, ele já não estava mais lá. Isso fica preso no meu coração, fica vivo, todas às vezes que me lembro dele. Ele era branquinho e me vem a imagem dele andando atrás de mim, assim como vejo a árvore direitinho e também meu irmão. Tudo parece que está vivo dentro de mim e é só me lembrar que volta tudo. Desculpe-me, mas eu não queria chora”.

Neste relato pode-se observar que apesar da presença do humor triste, não significa uma fala triste para o sujeito, contrário disto um estado emotivo, uma lembrança da infância e conseqüentemente satisfação por possível reorganização psíquica.

Quanto à ansiedade no contato foi baixa desde o começo dos encontros, o que contrapõe o resultado dos escores do inventário de Ansiedade Traço-Estado, o qual revelou alto grau de ansiedade na maioria dos sujeitos, no começo e no final dos encontros, o que não foi percebido durante as atividades lúdicas.

No que se refere à exploração do objeto, observou-se que em todos os momentos dos três encontros em questão, os sujeitos envolveram-se facilmente com o objeto desde o começo até o fim, sendo que no final os sujeitos envolviam-se pouco menos, tudo indica que no primeiro momento o envolvimento com o objeto serviu como transição para manutenção da atividade no grupo, mas pouco a pouco foi substituída pela própria interação social.

Os sujeitos participaram da atividade com muita motivação e estímulos para colocar em prática suas idéias e acreditaram em suas habilidades e capacidade de realizá-las. A interação espontânea com o outro, pode ter sido a ação motivacional dos participantes, facilitando assim, a realização da atividade de brincar, permitido à pessoa, desenvolver a possibilidade de criar e certamente, lhe proporcionando mudanças internas e externas.

Em virtude dos sujeitos apresentarem sintomas de depressão no início dos encontros a temática prazer não apareceu tão acentuada, porque eles relataram mais situações e fatos de desprazer, o que foi decrescendo no decorrer dos encontros.

No que se refere à crença, detectou-se que as pessoas já se permitiam acreditar que eram capazes de realizar movimentos internos e externos, ou seja, estavam podendo acreditar nelas mesmas e conseqüentemente na melhora do relacionamento familiar e social; proposta inicial a estes encontros e algumas conquistas no final dos mesmos.

De acordo com análise dos dados obtidos na roda de conversa final, observou-se que houve uma maior tomada de consciência do sujeito e do outro, num processo de interação.

Em suma, Winnicott (1975) diz que é preciso que a pessoa, neste caso, da terceira idade, se sinta capaz de brincar, de criar, não ficando parada na vida, sem ação interna ou externa. A pessoa precisa sim, acreditar que ainda é capaz de produzir, de criar e sentir confiança em si mesma e no outro.


Considerações Finais

Os eleitores que até aqui acompanharam este trabalho terão percebido que ao longo do caminho chegou-se a algumas conclusões e que muitas outras ficaram faltando. Desejou-se comentar algumas idéias, porém, sem a pretensão de serem conclusivas, mas que provoquem muitas outras interrogações, instigando aqueles que se interessam pelo bem estar da pessoa da Terceira Idade, a desenvolverem outras pesquisas relacionadas a este assunto, tão escasso em nosso País e de grande e inestimável importância para a qualidade de vida população da Quarta Idade (idoso).

O principal objetivo desta pesquisa, foi estudar o brincar, enquanto instrumento facilitador da reorganização psíquica para a pessoa da Terceira Idade, possibilitando-lhe viver com mais harmonia e satisfação no âmbito pessoal, familiar e social.

Ser velho sadio está ligado à maneira de como a pessoa viveu sua infância, como foi seu desenvolvimento na juventude, na fase adulta, como se preparou para o envelhecimento e como é sua caminhada na Terceira Idade, como ocorre em qualquer outra fase da vida, envelhecer requer que o indivíduo se adapte a situações novas, contando com a presença das lembranças, da memória e das características de sua personalidade.

Winnicott (1993) enfatiza que o brincar é uma ação importante para que a pessoa atinja um desenvolvimento adequado para sua formação psíquica, refere-se ao brincar como uma experiência, sempre criativa e que é importante para a construção e reconstrução do psiquismo do indivíduo, desde a mais tenra idade até a velhice; no brincar a pessoa tem liberdade de criar e recriar algo que possa simbolizar objetos internos e externos de seu convívio.

Este estudo mostrou maior interação entre as pessoas do grupo da Terceira Idade e um processo de reorganização psíquica, através de atividades lúdicas e alguns aspectos principais:

As atividades lúdicas no brincar propiciaram emergências de lembranças relativas a um passado próximo e a um passado remoto, possibilitando a externalização de conteúdos conflituosos e com isto baixando o sentimento de culpa e elevando a auto-estima.

O brincar com o material concreto, de textura, cores e materiais diversos, proporcionou também vivenciar situações de reorganização psíquica, via corpo (tato, audição e visão), de grande prazer, associadas à criatividade pessoal e conseqüentemente aumentando a auto-afirmação. Da mesma forma, o prazer no convívio com o outro, sendo o foco deslocado da relação de tensão para a atividade de prazer, diminuindo a tensão, podendo criar. A combinação da organização no momento presente (via atividade) com a reorganização da memória da vida (via lembranças) melhorou o quadro depressivo dos participantes, conforme dados obtidos no Inventário de Beck de Depressão (IBD), possibilitando uma crença em si mesmo e no outro.

O resgate da crença no outro, que aqui é observada na Terceira Idade, via o brincar, acompanha o desenvolvimento do ser humano desde o início da vida como diz Winnicott (1975).

Este estudo sugere que se possa traçar uma relativa analogia entre situações com características de transição entre o eu e o não eu no começo da vida, momentos de construção (bebê) e destruição (velho) da crença no outro.

O aspecto concreto, sensorial do brinquedo em si, como o de materiais plásticos, com a argila por exemplo, utilizado no contexto lúdico, reforçam estas características transicionais “como se” o sujeito preenchesse fisicamente com algo, este espaço intermediário.

Neste estudo a importância do brincar deve ser vista de forma relativa, sempre associada ao fato de que as atividades lúdicas foram desenvolvidas no contexto grupal o que criou condições de diálogo e troca de experiências.

Estes encontros foram realizados sempre na presença de três Psicólogos (esta pesquisadora e dois observadores) o que certamente deve ter contribuído para que os sujeitos se sentissem apoiados e pudessem se arriscar mais.

Outro ponto a ser discutido, diz respeito a utilização da aplicação do Inventário de Ansiedade Traço-Estado no começo e no final dos encontros, que deveria ser revista, já que os dados obtidos dizem respeito a momentos de tensão (início e fim) e conseqüentemente não demonstram uma evolução dos sujeitos durante o desenrolar dos encontros.

Por outro lado, o IBD (Inventário de Beck de Depressão) comprova os dados analisados através do ROG (Roteiro de Observação Geral) que demonstrou ser um bom instrumento de registro possibilitando a análise quanto à forma e quanto aos conteúdos emergentes.

As análises combinadas do IBD e do ROG apontam para o movimento positivo de reorganização psíquica da pessoa da Terceira Idade, como utilização de estratégias lúdicas e grupais e se possível supervisionadas por Psicólogos, que contenham os conteúdos emergentes da pessoa da Terceira Idade, sem interpretações, mas com sentido de apoio. Espera-se novas iniciativas nesse sentido, a fim de proporcionar um maior bem estar psicossocial para a Terceira e Quarta Idade.

 

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A Profª Maria Antonieta é Coordenadora do Núcleo Winnicott do CEAAP e Coordena diversos Cursos na área da Violência Doméstica, Psicologia Jurídica e Plantão Psicológico entre outros.

 

 

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