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Psicologia dos Esportes: Um campo de trabalho em Ascensão 

A Olimpíada de Atenas 2004 recentemente encerrada e que já faz parte da história esportiva mundial, possibilitou a oportunidade de ouvirmos de diferentes pessoas leigas na área da Psicologia dos Esportes expressarem comentários sobre o desempenho de atletas, tanto do Brasil como de outros países, quanto aos seus comportamentos emocionais durante as competições.

Tais comentários descreviam o que tinha ou não , faltado para os atletas, quanto ao controle de suas emoções durante os momentos cruciais das competições, prejudicando-os ou ajudando-os, dependendo do caso, o desempenho esportivo com as conseqüentes vitórias ou fracassos.Apesar de leigos na área específica, a maioria dos comentários era sustentada pela afirmação de que o controle emocional do atleta influenciou seu desempenho e em muitos casos definiu não só a conquista ou perda de uma medalha como também a sua cor.

Por outro lado os profissionais da área, como eu, que atuam na preparação psicológica do atleta, devem estar respirando mais aliviados por acreditarem que finalmente passa a ser de domínio publico a concordância de que a preparação psicológica é parte indispensável para maximizar o rendimento esportivo do atleta.

O tripé básico da maximização do rendimento esportivo se dá quando houver o equilíbrio entre as habilidades físicas, habilidades técnicas e táticas, e as habilidades psicológicas, não havendo nenhuma possibilidade de se ter uma performance esportiva máxima quando faltar um destes fatores.

Bloqueio emocional, nervosismo, ansiedade pré-competitiva, insônias, confiança, medo da derrota, pressão, raiva, pensamentos destrutivos, estresse, concentração, determinação, motivação, ativação, metas, rotinas pré-competitivas, relaxamento, fadiga, tensão, superação, mentalização,

excesso de treinamento, liderança dos técnicos, união do grupo, lesões, controle da dor e diversos outros comportamentos e emoções fazem parte da atividade do atleta de alto rendimento e é matéria prima de trabalho do Psicólogo Esportivo.

No mundo a Psicologia dos Esportes Aplicada tem um pouco mais de 50 anos, e no Brasil, como aqui a maioria das coisas sempre acontece depois, a aplicação da psicologia nos esportes tem um pouco mais de 30 anos.O Psicólogo esportivo participa de equipe multidisciplinar onde também tem papel importante o Técnico, os Auxiliares Técnicos, o Fisiologista, o Fisioterapeuta, a Nutricionista, e o Médico entre outros.É certo que o alvo da Psicologia do Esporte não é fazer campeão, mas ajudar o atleta a equilibrar suas emoções e desenvolver suas habilidades psicológicas esportivas em treinos e competições conseguindo produzir tudo o que sabe.

A área ainda se depara com a rejeição do seu trabalho por parte de técnicos esportivos que se acham super poderosos, mas jurássicos acreditando que sozinhos podem ter a solução para todos os problemas, amedrontados com a perda do poder e espaço, diferentemente de uma nova geração de profissionais esportivos atualizados e inteligentes que se unem a grupos multidisciplinares para maximizar os rendimentos de seus atletas e de suas equipes gerando resultados surpreendentes.Aliados a profissionais desatualizados e ultrapassados ainda se encontram Dirigentes Esportivos envelhecidos pelo enorme desgaste de energia e centralização de seus esforços na busca de formas de concessões e de elaborações de acordos políticos que os fazem perpetuar no poder , relegando o apoio técnico ao Atleta ao menor grau possível na lista de suas prioridades administrativas , ignorando infantilmente a importância do Psicólogo dentro de uma equipe multidisciplinar.

Não é animador saber que a custa de fracassos de atletas e equipes o espaço do Psicólogo Esportivo começa a ser aberto.O campo de trabalho, ainda pequeno e quase imperceptível no Brasil, começa a ser ampliado iniciando uma trajetória levemente ascendente, mas sustentável. É uma área jovem e por ser jovem ainda tende a crescer e solidificar. O atual governo tem interesse em incentiva-la. Esporte é sinônimo de saúde, saúde é menos gasto governamental, esporte também é uma grande alternativa de profissão, vitórias esportivas projetam o país, esportes dão atividades ao jovem levando-o a evitar caminhos mais perigosos e comprometedores ao desenvolvimento do país, vitórias e ídolos esportivos melhoram a auto estima de todos nós brasileiros.

Cinco centros olímpicos estão programados para serem feitos; leis de incentivos fiscais ao esporte e bolsa atleta , são planos discutidos nos meios governamentais e com alta probabilidade de serem implantados ainda na gestão do atual governo federal.

O Panorama esportivo quanto a investimentos começou a mudar a cerca de dois anos quando foi aprovada uma lei em vigor que retira mensalmente de toda a arrecadação das loterias esportivas 2% (dois por cento) de seu valor e destina estes recursos aos Comitês Olímpico e Paraolimpico para serem aplicados no desenvolvimento dos esportes através das Confederações esportivas. O atual governo federal , em ato público , se comprometeu a investir no esporte R$ 200 milhões de reais durante o ano de 2005 , o que deverá ocorrer pois isto gera dividendos políticos duradouros.

Há sinais de que o país do futebol, também possa ser o país do Iatismo, do Vôlei, da Ginástica, do Atletismo, do Basquete e de vários outros esportes ainda sem tradição esportiva como por exemplo o Boxe , a Esgrima , o Handball , e o Tiro . Já podemos dizer também que o Brasil Paraolímpico começa a ocupar espaço no cenário esportivo mundial . Pela primeira vez vimos uma boa cobertura dos meios de imprensa ressaltando a força deste esporte emocionando todos aqueles que puderam ver na pratica o conceito de Atleta Determinado vencendo primeiro os seus limites , depois os seus adversários. A excepcional evolução demonstrada e a honrosa classificação do Brasil nos jogos Paraolimpicos de Atenas , já o coloca , sem dúvida, em um patamar superior dentre as 143 (cento e quarenta e três) nações que ali estavam participando. Cabe-nos também registrar que a Equipe Paraolimpica já possui um trabalho de preparação psicológica consolidado e que 05(cinco) competentes profissionais da área integraram a delegação brasileira.

Presume-se que o negócio esportivo em termos de movimento financeiro no Brasil esteja lá pelo décimo segundo lugar como ramo da economia e que emprega cerca 1.500.000 de pessoas e que representa algo em torno de 2% (dois por cento) do Produto Interno Bruto. É triste e alentador ao mesmo tempo saber que em países considerados potências esportivas este percentual representa 5% (cinco por cento) do PIB. Triste porque estamos longe das grandes potencias nesta área, mas alentador por possuirmos um grande espaço para crescimento. Sabemos que apenas 18 (dezoito) esportes olímpicos de um total de 28(vinte e oito) estiveram em Atenas representados pelo Brasil. No Estado de São Paulo estatística recente indica que menos de 1% (um por cento) dos Psicólogos do estado trabalham na área da Psicologia dos Esportes, sendo um campo de trabalho ainda principiante, mas já com uma segunda geração de profissionais de reconhecida e comprovada competência.

No segundo trimestre deste ano o Comitê Olímpico Brasileiro acertadamente acabou de contratar o Prof Dr Dietmar para desenvolver um trabalho de médio prazo até os jogos Olímpicos de Pequim 2008 coordenando e desenvolvendo as atividades de preparação psicológica juntamente com as Confederações Brasileiras. Esta conquista histórica da área reforça a importância da preparação psicológica do atleta que ocorre em treinos e competições, além de reforçar o principio de que preparação psicológica não opera em regime de pronto socorro e que, portanto não se gera resultado de dia para a noite e sim ao longo de um período. Convênio recentemente assinado em agosto entre o Governo federal , as Organizações Globo e o Comitê Olímpico Brasileiro injetarão recursos em programas esportivos até os jogos pan-americanos de 2007 que ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro , ativando o desenvolvimento do esporte , de atletas e contribuindo para uma formação de uma cultura esportiva no país. Dentre os vários programas a serem desenvolvidos está o de identificação de talentos para crianças entre 10 e 15 anos de idade, cujo trabalho a ser desenvolvido, deva necessariamente passar por diversos profissionais de diferentes especialidades esportivas, incluindo o Psicólogo .

Ouvi recentemente um especialista em economia dizer que um país só será potência olímpica se tiver população grande (o Brasil tem) , cultura esportiva (ainda somos o país do futebol) , e investimentos (temos poucos, mas constantes). Cerca de 10(dez) Centros de excelência esportiva começam a ter espaço junto a universidades e planos governamentais sinalizam para o aumento destes centros, que entre várias atividades também prestam serviços na área de Psicologia esportiva.

Sessenta por cento das Confederações Esportivas Brasileiras têm hoje em suas equipes técnicas Psicólogos Esportivos, havendo ainda oportunidades de trabalho naquelas que ainda não se estruturaram para tal.

Promessas de candidatos a Prefeito na cidade de São Paulo sinalizam que poderá haver desenvolvimento esportivo através da expansão de centros esportivos municipais.

A luz no fim do túnel para o Psicólogo, que não é a de um trem em sentido contrário, começa a aumentar sua luminosidade acionada pelo reconhecimento geral sobre a importância do esporte para o país, pelo auto extermínio de dirigentes e técnicos jurássicos, pelo desenvolvimento natural da jovem área, pelo reconhecimento do atleta que admite que o controle de suas emoções passa a ser uma variável a ser considerada como fator de sucesso competitivo, pelos poucos, mas constantes recursos financeiros governamentais ao esporte, pelos compromissos governamentais de novas legislações de apoio ao esporte e ao atleta, pelo grande evento esportivo de 2007 no Rio de Janeiro sediando os Jogos Pan-americanos, pelos novos centros olímpicos e novos centros de excelência.Tudo isso me leva afirmar que a Psicologia dos Esportes é um campo de trabalho em ascensão.

Rubens Costa é Psicólogo da Equipe Olímpica permanente de Boxe, atende individualmente Atletas Amadores e Profissionais. Parceiro do Ceaap onde oferece Supervisão Específica na Área da Psicologia dos Esportes.

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